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Caso Calabresi
 
 

Está na  7ª Vara Criminal de Goiânia a denúncia ofertada pelo promotor Cássio de Sousa Lima contra cinco pessoas envolvidas no crime de tortura contra a garota L. de 12 anos. O promotor acusou a empresária Sílvia Calabresi Lima e a doméstica Vanice Maria Novaes de tortura, maus-tratos e cárcere privado, enquanto Marco Antônio Calabresi Lima e Thiago Calabresi Lima foram denunciados por omissão a tortura. Por sua vez, Joana D`arc da Silva responderá por ter entregue sua filha a terceiro mediante pagamento.

Na denúncia, o representante do Ministério Público (MP) relatou que os fatos vinham ocorrendo há aproximadamente dois anos, no apartamento localizado na Rua 15, Setor Oeste, onde L. morava com Sílvia, Marco Antônio e Thiago. Conforme explicou, de forma continuada Silvia e Vanice, que trabalhava como empregada doméstica na residência, praticavam atos de extrema crueldade contra L., submetendo-a a intensos sofrimentos.

Os crimes somente foram descobertos em 17 de março, por volta da 10h30 quando, após a denúncia de um vizinho, policiais chegaram ao apartamento e encontraram L. com as mãos acorrentadas a uma escada e posicionada de tal forma que seu corpo tinha de ficar totalmente esticado e com o peso sob a ponta dos pés. A menina estava, ainda, amordaçada com esparadrapo e um pano dentro da boca, o que aumentava a fadiga e impedia-lhe um grito por socorro.

Pagamento e promessas

Também segundo o MP, há dois anos Sílvia propôs a Joana D`arc que permitisse que L. , sua filha, passasse a morar em sua casa, oferecendo-lhe, em troca, o pagamento em quantias de dinheiro feito mensalmente e a promessa de dar estudos, bicicleta e carro quando a menina completasse 18 anos. Com a concordância de Joana, a empresária levou a menina para morar consigo e a garota começou a trabalhar e freqüentar o Colégio Militar.

Todavia, após alguns dias, Sílvia passou a impor maus-tratos à vítima e a espancá-la, diariamente, atos consistentes em surras com tamancadas na cabeça, marteladas nas solas dos pés, tapas e socos, batendo também a cabeça da mesma diversas vezes contra a parede, provocando-lhe lesões corporais. A vítima passou, então, a apresentar hematomas, os quais eram sempre justificados por Sílvia a terceiros e aos familiares da vítima como sendo tombos e quedas por ela sofridos”, contou o promotor.

Atrocidades

Ainda de acordo com ele, os maus-tratos foram se intensificando a ponto de Sílvia impedir o acesso de L. a escola, temendo que ela delatasse o fato a outros. Paralelamente, intensificou as torturas, passando a utilizar instrumentos perfuro-cortantes e contundentes, como alicates que mutilaram a língua da garota causando-lhe deformidade grave e permanente. Nas mesmas ocasiões, era colocado pimenta na boca, nariz e olhos de L. , que era sufocada por Sílvia, por vários minutos, com uma sacola de plástico, enquanto Vanice lhe segurava as pernas para que não esboçasse reação, aumentando assim seu sofrimento. “Não obstante, e com o fim de aumentar o sofrimento e a dor da vítima, Sílvia, por diversas vezes, esmagou os dedos de L. Colocando-os entre a porta e o portal, fechando-a em seguida”, comentou Cássio.

Na seqüência de crueldades, L. também era privada de alimentar-se, tendo havido ocasiões em que permaneceu por quatro dias consecutivos sem comer. Em depoimento à polícia, a garota afirmou que, quando se encontrava em estado de inanição, quase desfalecida, Sílvia e Vanice ofereciam-lhe fezes e urina de cachorro. A denúncia assegura que Marco Antônio e Thiago tinham “pleno” conhecimento dos fatos e não tomaram nenhuma providência. “Aliás, menosprezaram a situação e se tornaram coniventes, enquanto a lei lhes exige o dever de evitá-las”, salientou o promotor.

Site do Tribunal de Justiça de Goiás

 
Patrícia Papini
 



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